Dia do Julgamento

"Cada dia é o dia do julgamento, e nós, com nossos atos e nossas palavras, com nosso silêncio e nossa voz, vamos escrevendo continuamente o livro da vida. A luz veio ao mundo e cada um de nós deve decidir se quer caminhar na luz do altruísmo construtivo ou nas trevas do egoísmo. Portanto, a mais urgente pergunta a ser feita nesta vida é: 'O que fiz hoje pelos outros?'"

terça-feira, 9 de outubro de 2007

KARMA É A LEI DA HARMONIA

Bárbara Fariñas
Membro da Sociedade Teosófica pela Loja Annie Besant de Havana, Cuba
Há uma lei ou talvez um Princípio Fundamental, cuja realidade é inegável. É a Lei da Evolução, que se entende como um constante movimento em direção à perfeição, base e razão de tudo que existe.

A evolução não ocorre de forma desordenada ou arbitrária; ela segue uma ordem e persegue um objetivo que constituem, juntos, o plano Divino. Ao estudar-se esse plano, verifica-se que ele é composto por duas leis: Reencarnação e Karma.
Sobre a primeira fala-se com desenvoltura e pode-se crer ou não na sua existência. Sobre a segunda, há todo tipo de reações e muita especulação; ela é tão abrangente que nossa mente é incapaz de compreendê-la em toda sua extensão. Entretanto, devemos pensar nessa lei - que também é conhecida como Lei de Causa e Efeito - e tentar extrair dela, com todo cuidado, alguns conceitos gerais que nos podem ajudar a compreender que de fato existe e como atua.
Poderíamos perguntar-nos, por exemplo, se existe realmente uma lei que determine que toda ação é causa de um sucesso futuro na vida de quem a pratica e, também, seu efeito.
Se essa é uma lei que existe para possibilitar a evolução, deve ser justa. E existe justiça na Natureza?
Desde que se estuda a Lei da Evolução, de Darwin - destinada a explicar a evolução das espécies vivas, observa-se que essa lei é implacável e inexorável, mas, também fica muito evidente que sua finalidade é chegar à perfeição das espécies.
Quando se estuda o Cosmo e as leis da Natureza, verifica-se que nada acontece arbitrariamente; há ordem em tudo; apenas a vida dos seres humanos parece sujeita aos caprichos do acaso. Vemos crianças que nascem com limitações ou mesmo em condições em que não gostaríamos de ver nem mesmo nossos pequenos animais domésticos. Então restam-nos as alternativas de pensar que, para os seres humanos existe uma lei natural injusta e malvada ou, simplesmente, usar a compreensão e a sabedoria para concluir que se a Natureza é tão perfeita e tão justa, não há outra opção a não ser que esta justiça também atua sobre o destino dos humanos.
Se conseguimos interiorizar que tudo o que existe tem uma origem comum e divina, tendo isto sempre em mente, podemos compreender a influência que tem em nossa vida tudo o que está próximo a nós.
Atualmente a Astrologia tem grande aceitação, porque já se sabe que os astros têm influência sobre nós. Então, quanto orgulho existe se consideramos verdadeira a influência desse magnífico firmamento sobre nós se, ao mesmo tempo, consideramo-nos independentes daqueles que estão juntos de nós; toda vida mineral, vegetal e animal, em cujo seio nos desenvolvemos, contém-nos; como parte sua.
A vegetação que nos rodeia influi sobre nossa saúde e estado psíquico, assim como os animais e insetos que convivem conosco. Então, se isto é verdade, como podemos ter certeza de que o que dizemos, fazemos ou pensamos, não vai influir nos demais? Todo este complexo sistema que é a Criação, evoluciona harmoniosamente, de acordo com as Leis do Karma e da Reencarnação.
A Lei do Karma não é, portanto, castigo ou prêmio, é, simplesmente, a lei perante a qual cada um de nós e todo o restante daquilo que existe, interrelaciona-se nesse processo, cujo objetivo é a evolução até a perfeição.
Às vezes encontramo-la como Lei do Equilíbrio. Como sua ação produz modificações constantes em direção a condições mais perfeitas e falar de equilíbrio é sinônimo de algo estabelecido e durável, poder-se-ia chamá-la, então, Lei do Desequilíbrio.
O irmão C.W. Leadbeater diz em "A Vida Interna"(1) que a ação do Karma é o necessário restabelecimento do equilíbrio perturbado por uma causa e eu acrescentaria que o objetivo de sua ação não é o equilíbrio e sim o aprendizado, a evolução, que somente é alcançada através da vivência de uma sucessão de desequilíbrios.
Em um estado de equilíbrio físico, a ação das forças presentes é anulada mas não desaparece. Sob a ação do Karma, aprende-se a eliminar a força que se opõe à evolução e a fazer crescer aquela que a acelera.
Então, é o Karma uma Lei da Harmonia?
Estamos acostumados a usar a palavra harmonia quando existe regularidade, uniformidade, quando os sucessos seguem uma ordem compreensível. Nas nossas vidas decidimos que há harmonia quando há paz e compreensão; este é o estado ideal. Quando isto não acontece, dizemos que não existe harmonia. Portanto, mesmo que respondamos afirmativamente à pergunta e que realmente seja assim, parece que Lei do Karma não é a Lei da Harmonia, porque quando aparece uma perturbação naquilo que chamamos de estado harmonioso, ali também está presente a Lei do Karma.
Quando escutamos música, às vezes achamos que é estridente, desordenada; contudo, este é o nosso critério, o nosso gosto, porque sempre, em qualquer música, existe harmonia; está escrita em um pentagrama e a orquestra ou o grupo que a interpreta tem um regente; existe, portanto, harmonia.
Pode-se, então, concluir que o Karma é a Lei da Harmonia; não daquela que conhecemos, mas daquele caminho ordenado em direção a um objetivo bem preciso, impossível de captarmos em sua totalidade no nosso atual estágio evolutivo.

Em minha opinião, dizer que Karma é Lei da Harmonia está certo, porque esta é a lei mais sujeita a controvérsias. Sua ação coloca-nos frente a frente com cada uma das experiências que necessitamos viver nesta encarnação. Quando são favoráveis e estão de acordo com nossos desejos e aspirações, sentimo-nos contentes e não nos questionamos nada; mas quando são desfavoráveis e há sofrimento, então começamos a questionar-nos sobre a justiça daquilo. É nessas ocasiões que se fala em Karma.

Relacioná-la com a harmonia do Universo é algo que ajuda a sentir interiormente que é uma Lei Divina, cuja ação é justa e necessária; que é uma manifestação do Amor Supremo, cuja força é a que mantém toda a Criação em Evolução.

Cada um deve pensar sobre estas reflexões e tirar suas próprias conclusões, dando à Lei do Karma o conceito que julgue ser o mais adequado.

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