Dia do Julgamento

"Cada dia é o dia do julgamento, e nós, com nossos atos e nossas palavras, com nosso silêncio e nossa voz, vamos escrevendo continuamente o livro da vida. A luz veio ao mundo e cada um de nós deve decidir se quer caminhar na luz do altruísmo construtivo ou nas trevas do egoísmo. Portanto, a mais urgente pergunta a ser feita nesta vida é: 'O que fiz hoje pelos outros?'"

sábado, 19 de março de 2011

PORQUE NÃO VOU BEM EM ENTREVISTAS?

Por: Celia Spangher

Recebo vários emails por dia com essa pergunta, vindos de profissionais que estão em recolocação ou transição de carreira, e que não conseguem entender porque são chamados para várias oportunidades, mas não conseguem emplacar. Claro que há vários fatores envolvidos, mas vou procurar elencar alguns deles para ver se é possível ajudar:

1) Excesso de Ansiedade

Às vezes, o profissional quer tanto aquela posição que já entra na sala com um nível altíssimo de ansiedade. Passou a noite pensando no que dizer para causar boa impressão e com isso conseguir a vaga. Pois bem, quando alguém “quer tanto” agradar, acaba transmitindo ao entrevistador a sensação de insegurança e vulnerabilidade. Atropela as palavras, tenta “ler” o entrevistador e dizer a coisa certa, tenta adivinhar o que o outro quer escutar e com isso perde toda a naturalidade. Lá se vai a entrevista por água abaixo.

Solução: Seja você mesmo, não tente ser alguém que não é só para agradar o selecionador ou a empresa. Prepare-se para a entrevista focando no que você tem de bom para oferecer e seja natural. Se gostarem de você, ótimo, senão haverá outra oportunidade.

2) Estilo Defensivo

Após ser preterido em várias entrevistas ou após meses de busca, o profissional pode tender a chegar para a entrevista já com medo de um novo fracasso. Aí você realmente se predispõe a revelar isso na postura pessoal e na forma de falar. Não há nada mais desmotivante para um entrevistador do que conversar com alguém com a auto-estima baixa. Torna a entrevista maçante, chata, pesada e o selecionador opta por terminar logo, acabando por prejudicar você no processo.

Solução: ao entrar na sala, esqueça o resto. Faça de conta que essa é sua primeira entrevista depois do último trabalho. Pense no que você fez de bom na sua carreira, nos problemas que resolveu, nos gols que marcou e no quanto você pode ser útil a essa empresa.

3) Falatório Sem Fim

Como resultado do excesso de ansiedade e da posição defensiva, muitos candidatos nem percebem mas exageram ao falar. Falam muito, rápido, procuram antecipar perguntas ou utilizam respostas de “revista” com excesso de clichês – “o que eu quero é agregar valor”, “sou resiliente”, “visto a camisa”....etc. Muito cuidado com essas expressões ou elas caem no vazio, dão a impressão que você decorou um discurso e isso certamente o prejudicará.

Solução: Relaxe, seja objetivo. Escute atentamente as perguntas, responda com tranqüilidade e não se estenda muito. Deixe o entrevistador com gosto de “quero mais”, sorria ao falar de sua trajetória e do que você ama fazer.

4) Excesso de informalidade


Tudo bem que hoje em dia as relações estão mais informais e que há uma certa flexibilidade. Porém, exageros podem por tudo a perder. Na ânsia de agradar, alguns profissionais querem estabelecer uma relação mais próxima com o entrevistador e podem dar um tiraço no pé. Há uma linha que não se cruza e todo cuidado é pouco. Convidar o entrevistador para almoçar, mandar presentinhos após a entrevista, fazer comentários de cunho muito pessoal não o transformarão instantaneamente em super candidato a vaga e podem selar o seu destino no processo.

Solução: Educação e respeito são bons e cabem em qualquer lugar. Antes ser visto como muito formal do que como “folgado”. Seja simpático e acolhedor, sem ser invasivo nem “melento”.

5) Culpar os outros


Ao falar de eventuais problemas ou questões que o levaram a sair das empresas anteriores, o profissional pode cair na tentação de culpar a empresa ou a outros profissionais, chefes ou colegas. Seja honesto e assuma erros cometidos com humildade, sem atribuir a sua responsabilidade aos outros. Fazer isso pode dar a impressão que você foge à responsabilidade pelos seus atos, e isso definitivamente é algo que empresa nenhuma busca. Por exemplo – você saiu da última empresa porque houve uma restruturação. Ao responder a pergunta – porque saiu da empresa X? responda com naturalidade – houve uma restruturação e eu fui desligado. Pronto, simples assim. Complementar a informação dizendo – “contrataram um moleque estagiário mais barato que eu”, “optaram pelo filho do Diretor no meu lugar, sabe como é né, empresa familiar...”, “promoveram um colega meu que era mais político do que eu sabe como é, eu não sei fazer política....” só depõe contra você, demonstra ressentimento e que você não superou a saída.


Solução: também aqui, a dica é “foque no que é bom”, ou seja, lembre-se de tudo de bom que você já fez, nas coisas boas que conseguiu, nos resultados significativos que alcançou. E seja sincero e humilde com os próprios erros – afinal aprender com os erros é uma virtude.


Espero ter ajudado um pouco a esclarecer alguns pontos que podem impactar as entrevistas de trabalho!!



Boa sorte!





Celia Spangher é Headhunter e Diretora de Gestão do Talento da Maxim Consultores


www.maximconsultores.com.br

Nenhum comentário: