Dia do Julgamento

"Cada dia é o dia do julgamento, e nós, com nossos atos e nossas palavras, com nosso silêncio e nossa voz, vamos escrevendo continuamente o livro da vida. A luz veio ao mundo e cada um de nós deve decidir se quer caminhar na luz do altruísmo construtivo ou nas trevas do egoísmo. Portanto, a mais urgente pergunta a ser feita nesta vida é: 'O que fiz hoje pelos outros?'"

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Carreira estagnada? De quem é a culpa?




“Quanto mais pessoas realizam, mais aprendizado ocorre. A disposição de enfrentar novos desafios aumenta à medida que os desafios atuais são superados. O potencial das pessoas muda várias vezes ao longo de uma carreira profissional. Portanto as pessoas podem reinventa-se, e é o que fazem.” – Ran Charan
Nas duas últimas décadas o sistema educacional brasileiro proporcionou a milhões de jovens a formação no ensino superior. No entanto a qualidade do ensino é questionável nas universidades estaduais, federais e privadas, especialmente se comparadas à formação em países de primeiro mundo. Nenhuma de nossas universidades ocupa o ranking das dez melhores do mundo.
Paralelamente, as oportunidades e postos de trabalho decrescem assustadoramente em razão da automação e do avanço tecnológico mundial e, no Brasil, o panorama político e econômico tornou-se uma preocupação à parte – nebulosa e de difícil recuperação.  O mercado de trabalho está em completo descompasso. Poucas oportunidades, especialmente para os jovens e muita concorrência para os mais experientes em decorrência do número de profissionais demitidos – doze milhões aproximadamente – muitos dos quais não voltarão ao mercado com o mesmo status, salário e benefícios.
A redução do número dos postos de trabalho e a oferta da mão de obra local e global apontam para a e necessidade cada vez mais mandatória de aprimoramento contínuo dos profissionais que desejam se destacar e se manterem competitivos no mercado de trabalho. Não basta apenas uma boa formação acadêmica e experiência adquirida em contínuos anos de trabalho. As capacitações mudam de acordo com as necessidades do mercado e dos negócios. As empresas mudam cada vez mais rapidamente para se adaptarem às novas contingências. Portanto descartam profissionais encastelados em suas posições a fim de removerem as barreiras para as mudanças necessárias. Trocam um colaborador por outro com maior qualificação e na maioria das vezes com custo menor para a organização. A experiência na função vai perdendo valor à medida que aumenta, especialmente nas atividades que são substituídas por automação, avanço tecnológico, inteligência criativa e estratégica, novas gerações e novos conceitos pertinentes ao trabalho e o mundo dos negócios.
Não há garantia no emprego e, muito menos, não cabe mais à empresa cuidar da carreira dos profissionais que nela trabalham. Nesse ambiente empresarial como devemos administrar e controlar o curso de nossas carreiras?
A primeira e a mais importante questão é compreender que o desenvolvimento da carreira tornou-se uma responsabilidade pessoal e intransferível. Cada profissional deve planejá-la e executá-la a fim de ser competitivo no mercado e não apenas aprender aquilo que a empresa necessita num dado momento de sua carreira. Portanto a carreira deve estar focada para o mercado, que independentemente das crises, compete por talentos. É bom frisar que o profissional não trabalha para seu empregador. Ele trabalha para si mesmo. Ele vende seus conhecimentos, experiência, atitude, empenho e comprometimento a seu empregador.
Considerando a realidade exposta, como você pode se tornar e se manter valioso para as empresas e disputado no mercado de trabalho? Partindo do princípio onde o potencial e a experiência não são fixos, a regra é sempre mudar. O sucesso do passado não garante o presente e menos ainda o futuro. É sempre necessário se reinventar. Quem não está disposto às mudanças e aos riscos inerentes a elas, tem grandes chances de estagnar e mais, de ser dizimado pelo mercado de trabalho.
Para enfrentar mudanças é necessário primeiramente investir no aprendizado contínuo. Aperfeiçoar as habilidades e investir na aquisição de novos conhecimentos. Desenvolver atitudes mais coerentes com a cultura e o ambiente no qual atua. Tão importante quanto, é se preparar para os novos ambientes que você almeja atuar.
Portanto, alguns conceitos chave devem permear seu posicionamento pessoal porque eles direcionarão sua carreira:
Responsabilidade pessoal pelas decisões e ações que promoverão seu crescimento
Nenhum empregador fará por você aquilo que você pode fazer por si mesmo na construção de sua carreira. Por mais que o ambiente, a política de Recursos Humanos ou atual chefe lhe proporcione oportunidades de desenvolvimento você não deve se iludir ao pensar que eles estão cuidando de sua carreira. Logicamente você não deseja desprezar as oportunidades oferecidas por eles. Sim, você deve aproveitar. Porém deve planejar pessoalmente os aprendizados que necessita adquirir visando o mercado de trabalho e o futuro de sua carreira. Seja previdente. Busque novos conhecimentos que não se aplicam ao momento atual especificamente, mas que serão essenciais no curto e longo prazo.
É de suma importância definir seus objetivos de carreira. São raríssimos os profissionais que têm um plano definido e claro. Portanto, reveja os conceitos e anseios que lhe guiaram até o momento e faça as correções necessárias. Trace novos objetivos e seja realista ao avaliar se eles são atingíveis a fim de estabelecer um plano factível delineado com as ações que deve tomar. Quais são as prioridades? Quais os recursos disponíveis no momento? Tempo, disposição, apoio da família, recursos financeiros, atratividade no mercado, ou seja, aspectos cruciais para a viabilização do plano de ação. Responda honestamente: “Onde quero chegar e quanto estou disposto a investir nessa empreitada?”
Clareza do seu perfil
Nem sempre aquilo que você deseja está contido em seus talentos.  Você deve conhecer muitos profissionais que escolheram profissões que não se ajustam às suas habilidades e até mesmo aos seus próprios valores pessoais. Criar conflitos ou ficar dando “murro na ponta da faca” acaba por trazer frustração, sentimento de impotência ou desilusão com a carreira. Saiba que as suas habilidades estão diretamente ligadas à sua eficiência e realização pessoal.
Quem vai para o trabalho sem vigor e sem motivação provavelmente vive uma “crise interna” com o papel que executa. Se você gosta do que faz, as demais perturbações do ambiente não lhe afetam tão profundamente. No entanto, quando você está numa das “melhores empresas para se trabalhar”, tem um chefe legal, uma equipe colaborativa, mas você não gosta daquilo que faz, seu mundo vira um inferno. Não respeitar suas inclinações é promover a tristeza e arrebentar com a sua saúde. Lembro-me bem de uma jovem e promissora profissional da área de marketing que, além de trabalhar em uma das mais prestigiadas empresas globais e ter em suas mãos os recursos para desenvolver plenamente o seu trabalho, ela ao chegar à empresa pela manhã dizia para si mesma: “Eu odeio o meu trabalho, eu odeio o meu trabalho”. Adoeceu, perdeu todo o encanto com sua atividade, empresa, colegas e chefia. Passou a sentir-se solitária e sem direção. Tomou a decisão de rever sua carreira e após longa reflexão solicitou sua demissão. Hoje ela constrói seu próprio negócio em seu campo de expertise. Sente-se viva, saudável e animada.
Você deve conhecer os seus talentos e também seu potencial – “inclinações” – Caso contrário, você não terá direção. Procure observar quais são as suas atividades prediletas, destrezas, interesses, facilidade em executar, comportamentos espontâneos e aderentes a uma tarefa, visão e tudo mais que você pode identificar em seu perfil. Essa percepção será fundamental para orientar suas escolhas e aplicar todo o seu empenho no próprio desenvolvimento.
O conceito de alavancagem
Quando você tem clareza a respeito de suas competências conta com aquilo que já possui, ou seja, sua experiência. Por outro lado, ao avaliar o seu potencial você poderá dirigir seus esforços para aprender coisas diferentes as quais irão aderir facilmente ao seu perfil.
Se você conhece os seus “dons” ou “inclinações”, você pode identificar tantos outros aprendizados que você poderá assimilar de forma mais rápida ou profunda e colocá-los em prática. Isso promove entusiasmo, conhecimento, versatilidade, sucesso e satisfação pessoal, porque de certa forma, você está “talhado para fazer aquilo”. Quando você investe nos seus pontos fortes você cria um ciclo virtuoso. Aprende com facilidade e executa com maestria. Os resultados aparecem e estimula o contínuo crescimento profissional. Afinal, a forma de se tornar mais competitivo é aprender rápido e fazer melhor do que os seus concorrentes.
Disciplina
Boas intenções, boas “sacadas”, bons planos e necessidade de “sobrevida profissional” não asseguram seu sucesso na empreitada de administrar sua própria carreira.  A disciplina é o hábito que o ajuda a criar os resultados que deseja. É ela que garante a alavancagem. Tempo e eficiência são fundamentais.
Uma andorinha só não faz o verão
Manter a conectividade. Ninguém pode fazer muito sozinho. Uma carreira solitária está fadada ao insucesso. Você não alcança o sucesso sem interdependência com os outros.
Promover relacionamentos é uma necessidade vital para a saúde física e emocional. Quanto à carreira os relacionamentos é o bem mais precioso que você pode alcançar. Quem lhe promove são as pessoas que admiram você, quem lhe ajuda são as pessoas que acreditam em você.
Com muita tristeza ouvimos duas queixas comuns dos executivos em processo de transição quando comentam sobre suas carreiras. A primeira delas é a de que não possuem uma rede de relacionamentos sólida e extensiva. A segunda é que não têm tempo para os amigos e familiares. Eles acreditam que seu tempo, seu sangue e suas vidas foram entregues às empresas e, que dessa forma, suas carreiras estariam protegidas. Ao perderem o ninho, a demissão para eles significa solidão, aflição e arrependimento por não terem cuidado eles próprios de seu destino.
Caro leitor, faça diferente. Construa sua carreira baseada nos seus valores pessoais. Conheça profundamente seus talentos para investir naquilo que dá resultado e lhe torne singular no mercado de trabalho. Procure diversificar os seus conhecimentos e aprender novas formas de encarar e solucionar problemas, visto que a complexidade e a velocidade das mudanças tendem a aumentar.
E, concluindo, o seu valor de mercado é a sua garantia. Cuide de seu ciclo de relacionamentos porque são as pessoas que identificarão o seu valor e seu grau de utilidade. Cuide-se para não ficar depreciado.

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